"Não basta olhar, é preciso aprender a ver"

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

CAP 3 HÓSPEDE ESPECIAL

Casamento é sério! Aposto que, assim como eu, já ouviu essa frase uma centena de vezes por aí. Mas eu discordo! Penso justamente o contrário: O casamento é a instituição social mais engraçada que existe! E tenho como provar. Não acha engraçado como duas pessoas, em certo momento de suas vidas,decidem viver juntas e se dedicar uma à outra até que " a morte os separe".Mais engraçado ainda é que essa decisão tão importante( e séria!), na maioria das vezes,é inspirada no sentimento mais irracional,imprevisível e inexplicável de todos: O amor. O casamento é um circo,leitor! Os cônjuges são dois equilibristas que,com suas semelhanças e diferenças tentam, no dia a dia, manter-se de pé em uma corda bamba chamada convivência. Confiar seus segredos, medos,intimidade e desejos a outra pessoa não é fácil. Mas não é porque não é fácil que precisa ser sério. Basta o casal ser uma boa dupla de malabarista e não deixar a confiança cair e quebrar. Às vezes, também são necessárias algumas acrobacias pois sempre haverá problemas a serem transpostos. E pular pode ser divertido, sim!Por que não?Ah! E o que dizer sobre a mágica?!Ainda não sei qual o segredo de duas pessoas dividirem uma só vida. Mas sabe qual o melhor papel que a mulher  e o homem podem assumir?É o do palhaço!Porque casamento não se define pela assinatura de um papel ou por celebrações,mas pelo esforço diário de fazer seu companheiro ou companheira sorrir. Agora pergunto: Já viu alguém feliz sério?

--Acho que não ouvi direito. Eu vou casar contigo?
--Você ouviu muito bem, Churumela.
Desde que havia voltado de Bakía, não tivera um dia tão maluco. Primeiro, meus olhos brilharam sem nenhuma explicação. Depois ganhei um anel com um pedido,ou melhor, intimação de casamento de um cara que mal conhecia. Admito que fiquei envaidecida com a proposta de Gustavo, afinal, ele é o cara mais desejado da escola. Mas casar? Não, não! Casar, nãaaao!
--Não!--falei tentando tirar o anel do dedo, mas não consegui meu intento.
--Você pos cola nesse anel? Não consigo tirá-lo! Olha, Gustavo, tudo que aconteceu hoje não faz sentido pra mim até agora. Inclusive esse seu pedido de casamento descabido, maluco e....
--Você fala demais!--Interrompeu Gustavo sorrindo como se minha surpresa e todo meu alarde fossem engraçados.
--Ah, disso eu sei! Não é a primeira pessoa que me diz isso.--falei dando-lhe as costas.
Gustavo se colocou em minha frente, segurou meu rosto com firmeza e me olhou com um desejo que...Ah!Sei lá! Uhuuuu! Me causou arrepios.
--Vou te levar pra casa. Está quase na hora de começar seu turno na lanchonete e não quero que chegue atrasada. Fique com o anel! É seu! Quanto ao casamento... teremos tempo!
--Tempo?!?!-- Gritei ao acordar da hipnose de seus olhos --- Acho que ainda não entendeu, Gustavo. Você é charmoso,inteligente, fofo,lindo,gostosão...
--Então?!
--Então que bom que você me interrompeu porque já estavam acabando meus adjetivos. Bem.. a questão é que sou apaixonada por um cara orgulhoso e cabeça dura que vive muito longe de mim.
--Eu sei.--disse meu colega de turma com segurança.
--Sabe?!--Perguntei desconfiada.
--Quis dizer que sei pois só pode ser essa a razão de você se esquivar tanto de mim! Vamos para o carro,Churumela!
Não fiquei muito satisfeita com a explicação,mas estava realmente atrasada e resolvi não estender a conversa. Meu prédio não ficava longe da praia . Durante o caminho, não falamos mais sobre casamento. Gustavo tentou puxar assunto, me lembrando da reunião de grupo que teríamos em sua casa na noite do dia seguinte. Lendas! Tava sem cabeça pra pesquisar sobre lendas. Não consegui disfarçar o sorriso quando lembrei que Rafael adora me chamar de anta ou mula empacada quando insisto em ser teimosa. "Churumela, a mula sem cabeça", certamente, ele faria essa associação.
Assim que entrei no apartamento, Xadrez me cumprimentou como é de praxe. Tomei um banho rápido, coloquei meu uniforme  e fui tomar minha xícara de café em frente à TV. O noticiário não trazia boas notícias :  Animais e pessoas morrendo,vítimas do calor e desidratação em várias partes do mundo.O calor estava insuportáve! Faltava água potável em muitos lugares e o racionamento já era prática comum,inclusive na minha cidade. Estávamos na primavera, mas parecia outono. Não havia folhas nem flores, apenas árvores e rios secos. É verdade que o desmatamento,  a ocupação desordenada do espaço pelas cidades e a ambição desenfreada do homem, não respeitando os limites da natureza tem provocado mudanças no clima no decorrer de dezenas de anos mas, na última semana, as condições só pioraram. Os cientistas tentavam explicar o fenômeno do clima, mas não havia consenso entre eles. Água se tornou um bem valioso. Gastei metade de meu salário com botijões de água,protetor solar e manteiga de cacau.
--Sei que temos culpa por tudo que está acontecendo,mas algo me diz que há mais alguma coisa envolvida nessa mudança tão brusca do clima. Era pra estarmos no inverno, com chuvas , ventos frios, chocolate quente. Você também não acha, Xadrez?
Xadrez pulou no meu colo e deu umas lambidas no meu rosto, me fazendo derrubar a xícara de café no chão. Fui até a cozinha ,pegar o material pra limpar a bagunça e quando voltei...
--O que está fazendo aqui?--Perguntei surpresa sem acreditar no que via.

--Será que tem um colchão velho aí pra mim?
-- Tem, sim! Mas aviso logo que ele é de Xadrez e tá mijado!
--Churumela,!!!
--Ah, Paulinha, vem logo aqui me dar um abraço!!

CONTINUA...

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